3 dias de aventuras por aí
Registros escritos e visuais, pela costa do Mar Interior de Seto e suas redondezas
Começo a escrever este blog post à caminho de Yokohama, depois de ter passado alguns bons dias em Hiroshima e região. Especialmente nestes 3 últimos dias, tive a oportunidade de visitar Fukuyama, Tomonoura, Onomichi, Takehara, uma ilha cheia de coelhos, e outras cidades que não sei nem digitar o nome.
Tudo isso pelos arredores da região de Seto, uma região que abrange as ilhas de Honshu, Shikoku e Kyushu.
A quem interessar possa, abaixo criei um mapa com a rota que percorri. (Infelizmente o mapa pode não funcionar no email, então abra o link no navegador se for o caso).
Dia 01
Fukuyama
Começando por onde tudo começou, Fukuyama. Na última segunda-feira, um dia após o show incrível da NEMOPHILA em Hiroshima, fui para Fukuyama, uma pacata cidade (aparentemente) no "estado" de Hiroshima.
Ao sair da estação de trem você dá de cara com o castelo da cidade.

Basicamente usei essa cidade como uma base para explorar as outras cidades citadas acima, então não a explorei tanto, e só tenho isso pra falar mesmo. 😂
Abuto Kannon

A primeira parada foi neste curioso templo na beira de um barranquinho de pedras. Infelizmente não pode tirar fotos lá do alto, mas a vista do mar é surreal.

Tomonoura

Coisa que eu não sabia: essa cidade foi usada como inspiração para o filme (que eu ainda não assisti) Ponyo, sim, aquele do Studio Ghibli.









É muito curioso andar pelas ruas de cidades pequenas no Japão (não que eu tenha visitado várias), várias coisas parecem ter parado no tempo, mas ainda assim encontram seu lugar no meio de certas modernidades. Por exemplo, casas antigas que foram transformadas em pequenas lojas. Notável também é o silêncio do interior que ecoa por entre as ruazinhas estreitas da cidade.






Barcos e muitos barcos também.



Dia 02
Onomichi

Uma parte da cidade cresceu em direção morro a dentro, o que me fez lembrar um pouco uma favela.
Neste dia choveu bastante durante toda a madrugada, e a chuva continuou do nosso trajeto de Fukuyama até chegarmos em Onomichi. Eventualmente como tudo na vida, a chuva parou um pouco, mas esqueceram de avisar os gatos que nessa cidade vivem. 🐈





A paz e tranquilidade de quem não tem contas para pagar
Essa cidade é conhecida por muitas coisas, uma delas são os felinos de rua que por ali moram. A cada esquina que tu vira, fica aquela expectativa de avistar um felino. 猫 (neko, gato em Japonês) é provavelmente a palavra mais utilizada ali. 😹




















De almoço, Okonomiyaki! Restaurante bem de interior mesmo, pequeno e "barato", assim, barato para os padrões das cidades grandes do Japão.

Boa música tocando no rádio também!


O banco do limão gigante (Vista da ponte Tatara)
Aparentemente a Ilha de Ikuchi é uma grande produtora de limão (embora eu tenha visto mais pés de laranja na rua, mas tudo bem) então lá no alto de uma montanha com uma vista incrível tem um observatório e um limão um tanto quanto grande.




Funaori Seto
Em determinado momento da viagem, notamos uma corrente no mar ao redor de uma ilhazinha. Basicamente ali é um estreito de apenas 300 metros (se minha tradução está correta) de largura, imprensado entre Kiri (estrada) e Monojima (ilha). Devido à influência da amplitude de maré do Mar Interior de Seto, correntes de até 9 nós fluem para frente e para trás.

Essa placa aqui explica melhor, é só ler:

Kirosan Observatory Park
A vista lá do alto é surreal, pelo menos foi o que vi das fotos. Infelizmente não conseguimos ver nada lá do alto, devido a forte neblina e chuva.
Fica aí uma foto de uma tartaruga gigante, foi o que deu pra ver. 😂

Dia 03
Takehara ~ Honmachi
Em Takehara, fomos para Honmachi, uma cidade/bairro histórico. De certo modo similar ao de Tomonoura.
Aqui novamente, o silêncio predominava as ruas. Se não fosse alguns raros carros que as vezes por ali passavam, ou o carteiro na sua pequena moto elétrica, ou o celular que usava para tirar fotos, dava pra dizer que havia voltado no tempo.








Mihara
Uma pequena pausa para o almoço em Mihara, onde pela primeira vez eu vi um sushi de quiabo. 😅

Apenas queria deixar isso registrado aqui!
Ah, mas quase me esqueci desse motoqueiro radical com seu pato na garupa. 😄

Morro Kurotaki
Quando eu estava planejando essa viagem, eu vi algumas opções do que fazer ao redor de Hiroshima (prefecture/estado, não cidade), opções de pontos não tão turísticos assim, e esse morro me chamou a atenção.
Quando chegamos no estacionamento para dar inicio a subida, eu deixei meu celular cair no chão. Pensei comigo "é, agora ferrou", mas aí pensei "tudo bem, eu tenho o celular velho de backup na mochila..." mas aí pensei "...que está completamente sem bateria pois a última vez que o carreguei foi ainda no Brasil". Por mais sorte do que juízo, a vítima do meu descuido sofreu apenas um arranhou, nem entortar entortou então está ótimo!

Enfim, de volta ao que interessa, o morro Kurotaki.
Logo na subida, você se depara com esses bambus e também um taco de baseball. Das duas uma, ou isso é pra você se apoiar durante o trajeto ou é pra jogar baseball. Olhei para todos os lados e não vi nenhum campo de baseball, então realmente deveria ser para se apoiar durante a subida e descida. Ou sei lá né, vai que tu encontra um urso no meio do caminho.

Enfim, caramba como eu fico digitando coisas sem sentido as vezes, daí cá estou eu em Yokohama tentando lembrar das coisas importantes para compartilhar aqui.
Ah sim, não é uma subida subir cansativa, desde que você não esteja com 2 casacos e uma calça grossa. Ainda assim, é tranquilo de subir.

Como havia chovido (novidade) nos últimos dias e provavelmente pela manhã ali, o chão estava um tanto quanto escorregadio em algumas partes, principalmente nas partes mais íngremes, e, aliado com as folhas das arvores no chão, qualquer deslize poderia ser complicado.

Mas a vista lá de cima vale totalmente a pena! Surreal!



Assim como lá embaixo, lá em cima também não tem campo de baseball, então aquele taco deve ser pra se apoiar mesmo, já que nem urso tem nessa ilha, aparentemente.
Ōkunoshima - a ilha dos coelhos
Descemos o Morro Kurataki, e ali perto tem o porto para pegar um barco para a ilha dos coelhos. Corremos para comprar os tickets e fomos os últimos a entrar no barco.
O tempo de viagem até a ilha é curto, em torno de 15 minutos e você já está lá.

Essa ilha é simplesmente lotada de coelhos, tipo, muitos mesmo! Nunca tinha visto tantos coelhos assim na minha vida, e o comportamento deles é bem interessante. Do nada eles correm na sua direção achando que você tem comida para oferecer, alguns deles percebem já de cara que não é o caso e apenas te ignoram, outros são um pouco mais esperançosos, mas todos são muito bonitinhos. 😂









A única coisa que tem mais do que coelhos nessa ilha, é cocô de coelhos. 😂 Simplesmente impossível não pisar, tanto é que existe uma estação para limpeza dos sapatos após sua visita.
Essa ilha também abriga ruínas do que fora uma fábrica de gás venenoso durante os anos 20, um projeto secreto do governo Japonês na época. Ali também tem um pequeno museu sobre gás venenoso, a ideia deles é mostrar que o Japão não foi apenas vítima durante a Segunda Guerra Mundial, mas também um agressor, na esperança de que as pessoas entendam ambas as facetas da guerra e reconheçam a importância da paz.


Fim das aventuras...
... pela costa do Mar Interior de Seto. As aventuras no Japão ainda vão continuar!
Mas enfim, o Japão oferece tantas as opções para explorar que não importa quantos dias você tenha disponível, nunca vai ser o suficiente. Tendo isso em mente, acredito que não há necessidade para apressar as coisas, afinal você nunca vai conseguir explorar e ver tudo mesmo.
Estes 3 dias de subidas e descidas, de morros e montanhas, de chuvas e ventanias, foram muito divertidos. Altamente recomendado! Tokyo é legal e tudo mais, porém o interior do Japão e seus pontos não tão turísticos assim têm muito a oferecer também!
E obrigado Miyu, por ter me guiado durante estes 3 dias. 本当にありがとうございました。
